PELO FIM DA ESCALA 6X1
Os partidos de centro direita e de extrema direita no Congresso Nacional estão se mobilizando para tentar barrar a proposta que acaba com a jornada de trabalho “6X1” (seis dias de trabalho e um de descanso). A proposta de emenda à Constituição Federal apoiada pelo Governo Federal diminui a jornada semanal de 44 para 36 horas de trabalho, sem redução salarial, adotando o modelo de 5 dias de trabalho para 2 de descanso. Representantes das bancadas de partidos como o PL, União Brasil, Partido Novo, e o chamado bloco do “centrão”, alegam que o fim da “6X1” aumentaria o custo das empresas, que haveria um crescimento no gastos com “mão-de-obra”, e que o país perderia competitividade econômica. Os partidos mais à esquerda, como PT, PSOL, Rede, PcdoB, PV, PDT e PSB, juntamente com movimentos populares e sindicatos, vão em sentido contrário e apoiam o novo modelo de jornada de trabalho e sustentando que a economia deverá crescer nesse modelo com aumento na produtividade, com uma maior oferta de emprego e geração de renda para a população e melhorando a qualidade de vida do trabalhador.
A verdade é que países com economia consolidada já não operam com a jornada “6X1”, como por exemplo os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Noruega, Dinamarca, Finlândia, e alguns estão tendo êxito com experimentos de jornadas de trabalho ainda mais reduzidas, como a Holanda, Espanha, Nova Zelândia, com 4 dias de trabalho na semana, sem reduzir salário e com manutenção da produtividade. Com um novo modelo de jornada de trabalho a perspectiva é de que o trabalhador tenha mais tempo para o descanso, para a vida em família, para o estudo e para o lazer. Todos os benefícios conquistados pelos trabalhadores sempre foram antecedidos de muita resistência dos setores políticos de direita e sempre com a mesma narrativa catastrófica de que os benefícios aos trabalhadores arruínam a economia. Foi assim com as horas-extras, com o auxílio maternidade e auxílio paternidade, com o FGTS e com a multa de 40% de FGTS no caso de despedida imotivada. Mas a verdade é que a economia continuou crescendo e os empresários continuam a acumular lucros cada vez maiores.
Todos os trabalhadores devem buscar entender os interesses que estão por trás das narrativas dos setores da direita de que o aumento da renda dos trabalhadores é um entrave para o desenvolvimento, quando está comprovado que a ampliação do trabalho e renda é que amplia o mercado consumidor e faz crescer a economia. Ao invés aumentar a eficiência dos seus negócios com gestão em escalas maiores e trabalhar com margens de lucro menos exageradas, os setores de direita do grande capital preferem lucrar com aplicações financeiras (razão pela qual os juros não baixam, pois são base da remuneração das aplicações bancárias) e fazer redução dos seus custos de produção reduzindo os gatos com “mão-de-obra”, ou seja, mantendo baixos os salários dos trabalhadores. Fique atento às posições dos políticos nesta discussão do fim das “6X1” e saiba se contrapor aos argumentos fajutos da direita.